Quem me conhece sabe que eu tenho uma alergia séria a lactose. Ou seja, não me venha com strogonoff feito com creme de leite, iogurte ou suco ADES com soja e leite porque, amigo, eu não vou aceitar. Mentira. Eu vou aceitar sim, mas depois vou sair correndo desesperado por um banheiro, porque, amigo, é simultânea a parada! Bom, agora, provavelmente você deve estar pensando que quando estiver do meu lado vai poder me privar de comer ou beber qualquer coisa à base de leite e achar que com isso vai me fazer melhor. Mas não, nem tente. Eu sei meus limites e mais do que isso: Sei que vou me foder muito se eu ultrapassá-los.
Quer um exemplo?
Dia desses eu tinha ido para a faculdade e comi um ótimo almoço num restaurante a quilo. Um strogonoff delicioso, que beirava o absurdo de tantos champignons e creme de leite. Dava pra gozar por uns três anos seguidos de tão gostoso que aquilo estava. E eu, claro, coloquei a minha alergia no bolso e comi feito um doido. Depois daquilo eu fui para a minha aula de fotografia. Dormi desesperadamente – ok, todos sabem o quão é inevitável dar aquela dormidinha depois da comida, né? (coloque aqui o apelo sexual necessário) – e até ronquei na sala. Uma colega minha me acordou dizendo que todos tinham ouvido e eu tinha até babado. Depois daquele feito digno de um selo Pedro de garantia eu fiquei bem envergonhado e saí da sala com minha cara amassada.
Depois disso eu pensei em ir para o clube, nadar um pouco e espairecer. Nada como uma piscina vazia num dia de terça-feira a tarde, né? Foi o que eu fiz. Esperei um pouco no ponto de ônibus e fui a caminho do maravilhoso clube de natação. O ônibus estava cheio e por isso eu tive que ficar em pé durante toda a viagem. Ela seria longa e por isso eu já previa o cansaço, mas o clube ia resolver todos os meus problemas.
No meio da minha viagem algo estranho começou a acontecer. Era o strogonoff dando seu oi. Na verdade não era bem um oi, e sim um tchau. Ele queria sair, mas o momento não era o melhor. Eu conversava com ele, e na minha cabeça eu pensava: “Pedro, você é forte, você vai conseguir, não deixe se abater por causa de uma dor de barriga”. Mas não funcionou muito quando eu vi que ainda estava no meio do percurso até o clube.
Eu pensava: Meu Deus! O que será de mim? Comecei a bolar planos de sair do ônibus, correr para trás de um arbusto e me esvair em cocô, ou então de me cagar inteiro e aceitar a situação com dignidade – algo como "foda-se a sociedade que se limpa com papel higiênico de folha dupla quero mais é cagar". Mas nada disso deu resultado. Fui sofrendo e bradando pensamentos de auto-ajuda até o clube.
Sim, o clube, MALDITO clube chegou. Saí correndo em direção a ele, mas no meio do caminho pensei: porra, não vou me agüentar. Daí, logo em seguida substituí o pensamento por: Pedro, você chegou até aqui, agora vai!
Quando cheguei na frente do clube me lembrei que tinha que passar por uma identificação de sócio para poder passar na catraca. Tirei todos papéis possíveis do bolso e despejei em cima da moça da catraca, que me olhou com uma cara de “esses jovens de hoje... sei não, hein?”. Mas eu estava cagando pra ela (ok, desculpa por esse trocadilho ridículo) e só mirava o banheiro. Naquele momento era só de um banheiro que eu precisava.
Passada a fase da catraca, corri desesperado em direção do banheiro. Me assustei com a limpeza do local. Agradeci a Deus por ser uma terça-feira e por isso não ter ninguém usando aquele lugar e me entreguei ao meu amor incondicional: a privada.
Ouvi o coro de aleluia naquele instante. Não só o coro de aleluia, afinal de contas o ato de cagar não é nem um pouco silencioso, mas enfim. Notei a falta de papel higiênico, mas naquele momento minha alegria era tão contagiante que as folhas do meu caderno se entregaram à função de me limpar com muita devoção.
Feito o serviço, lavada a mão, saí do banheiro lépido e fagueiro. Para a minha surpresa encontrei uma mulher vindo na mesma direção em que eu estava. Ela se assustou com um fato de um homem estar naquele lugar. Ok, era um banheiro! Qual o problema de um ser humano com um pinto no meio das pernas freqüentar aquele lugar? Não haveria nenhum problema caso aquele não fosse um banheiro feminino. Não contente em me envergonhar a mulher saiu gritando pros quatro ventos que um HOMEM ESTAVA NO BANHEIRO FEMININO. UM HOMEM ESTÁ NO BANHEIRO FEMININO. UM HOMEM ESTÁ NO BANHEIRO FEMININO. E claro, eu não estava mais ali. Saí correndo, pulei a catraca da identificação e entrei no primeiro ônibus que eu vi.
Viu só como eu conheço os meus limites quando o assunto é alergia à lactose?
7 Pode falar:
EAUAUEUAEUAEUAEUAUE
EU RI MUITO!
O MELHOR POST DO MUNDO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Pedro, para refletir: o banheiro nunca está errado, você que não está vestido adequadamente para ele. ficadica.
fantástico! mesmo!
Eu tento imaginar quem é o "amigo" em questão a que se refere o texto.
hahaha.
O MELHOR POST DO MUNDO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! [2]
Eu já sabia, mas ri horrores!
E eu brigo com ele, sim! Mas não tem que faça Peu não comer strogonoff..
UHAAIUHSAIUHASIUASHIUSAHSAIU
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